AUTOCRIAÇÃO
Pego a bolsa, os livros e vou ao ônibus, rotina
esta que faço todas as noites por cerca de há 7 meses.
Na estrada pela janela do ônibus, vejo a mãe
arrumando a criança; o senhor em seu cavalo vindo do terreno aparentemente
cansado depois de um dia de trabalho; senhora na janela vendo a vida
passar; crianças na calçada sorrindo e gritando; homens bebendo em um bar... Eu vejo vida e costumes, percebo que tudo corre
igual este ônibus. Perdemos tempo com coisas tão insignificantes, as
mesmas que nos deixam esquecer o que é essencial.
(A paz).
As pessoas querem paz, mas não sabem como tê-la. Em uma sociedade que falta afeto, que não se tem carinho um
pelo outro, que não podemos nem ter amigos, que todos já pensam que existe algo
a mais que amizade, é uma sociedade que só sabe julgar, não sabe compreender.
Não temos as mesmas oportunidades e cada um tem seu propósito diferenciado eu
até entendo, só não entendo porque falta tanto Amor nos corações das pessoas.
(...) enquanto isso a menina estuda para
passar no vestibular; enquanto isso o rapaz passa a noite se preparando
para na manhã seguinte se apresentar naquela entrevista de emprego; a
mulher se estressa ao ouvir o choro da criança; de um lado do mundo
outros jogam comida; do outro lado, outros morrem sem ter uma gota se
quer de água para sobreviver...
Vivemos se adaptando: mudamos de casa, escola, amigos,
rua, cidade, trabalho, porém não devemos mudar o nosso lado humano de ser, esse
lado que possui toda a essência, como o material genético que se encontra no
núcleo de uma célula, nosso potencial se encontra em nosso íntimo, em nosso
interior, não devemos deixar que a "sociedade" corrompa isso, como
dizia Rousseau, até porque isto é o que compõe o nosso “ser”.
(...)
enquanto isso as luzes das casas estão todas acessas, clareiam os olhos daquela
família que se encontra na beira da estrada, que descansam a noite, porque
esperam um novo dia, dia este com a rotina de sempre, vida esta forçada, que
precisa de muito esforço para sobreviver.
Sempre temos que aceitar algo, é a perda, é
as diferenças, é a dor, é a luta, é a derrota, é a tristeza, é a solidão,
sempre temos algo para aceitar que pode ser bom ou ruim aos olhos de quem vive.
É preciso possuir discernimento para entender tais coisas, que às vezes
acontecem e nem sempre sabemos explicar.
(...) enquanto isto a vida anda, igual o ônibus que
corre para chegar a tal destino e a estrada continua, estrada esta que eu não
conheço o fim, que é preciso possuir autocriação para ser criador da sua
própria história, da sua própria estrada, da sua própria vida.
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