A VIAGEM DE CADA UM

E ontem
aconteceu um acidente por aqui, sabe. Daquele tipo de acidente que comove
qualquer ser que possui humanidade, desses que nos faz refletir sobre nossas
ações e escolhas de hoje (porque as de amanhã deixa para o dia de amanhã).
Diante deste triste acontecido, observei
algumas pessoas, como o professor que não conseguiu dar aula porque na
fatalidade tinha vários estudantes da Instituição, a menina que não parava de
chorar pensando no susto que quase perdera seu namorado, da mãe que gritava
ardentemente a procura da filha, das senhoras que conversaram na van sobre o
acontecido, das pessoas que trazem notícias sem ao menos ter veracidade de
tais, do amigo que liga preocupado querendo saber se você está bem diante
disso, do jornal, ah o jornal nacional que fez questão de apresentar a notícia
em menos de 15 segundos, o jornal.
Quando voltava para casa dos meus pais (que na verdade são avós), não sentei no lugar de sempre, sentei no meio, ainda não estava preparada para olhar bem a estrada de perto, sabendo que há poucas horas pessoas faziam o mesmo trajeto e acabaram de ter seus sonhos destruídos, daí observei a janela, olhei atentamente na escuridão do céu, este mesmo céu que nesta mesma tarde estava tão cinza, isso mesmo, cinza, cinza e cinza, essa cor vai permanecer eternamente na vida de uns a partir de hoje, dias cinzas.
Enquanto olhava para o
céu, iniciei uma série de interrogações sobre a vida, embora sempre faça essas
questões existenciais, hoje foi mais intenso, acredito que muitas pessoas
também fizeram essa análise sobre a vida.
Digo isso, porque muitas
vezes vivemos com a certeza e plena consciência da nossa finitude. Embora com
essa correria do dia a dia, esquecemos de viver, sim, esquecemos de viver, pois
passamos rapidamente pela vida e como um passe de mágica percebemos que do ano
novo, já estamos sentados ali na sala para a ceia de natal.
E essas pessoas?
Estas que tiveram seus
sonhos interrompidos, sentimentos despedaçados e futuro não alcançado. Vejo que
as que se foram, deixaram saudades, dores e lembranças; as que ficaram, sentirão
dor, saudade, lembrança e trauma. Mas vão sobreviver dia após dia, mesmo com um
misto de recordação e medo, valorizando cada detalhe e acreditando na esperança
de um dia ainda conseguir fazer uma viagem tranquila.
Às vezes precisamos de
uma tragédia para entender o quanto precisamos acordar e viver.
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