BRILHE NO MEIO DA ESCURIDÃO
São 16 horas e o toque de alarme aciona, foram
aproximadamente 45 minutos de descanso, sento e enxergo os últimos livros que
li esse mês, a bíblia na cabeceira da cama e o computador ligado executando a
playlist de Coldplay. Enquanto observo
cada detalhe, percebo que tenho a absurda mania de sempre dar significado as
coisas, relaciono pessoas com músicas e guardo memórias de momentos que não
deveriam ser lembrados mais.
Imediatamente pego o celular e falta exatamente 01h30min
pra pegar o ônibus da faculdade, porém, preciso escrever. Rapidamente vou até o computador e abro no Word,
escrevo em caixa alta: “NADA É FÁCIL”, salvo sem título e vou tomar banho para
ir à faculdade, chego no ônibus e sento do lado direito da janela, tenho 45
minutos para pensar no que está acontecendo comigo.
Embora não goste de pensar muito no passado, entendo que o
que sou hoje é uma soma de ações e escolhas. Olho pela janela do ônibus e me
deparo com um céu estrelado e a lua cheia, uma pérola enorme brilhando em meio à
escuridão, penso por um minuto que queria ser igual a ela, repito duas vezes na
minha mente: “brilhar em meio à escuridão”, “brilhar em meio à escuridão”, daí
uma parada do ônibus para pegar alguns estudantes, me desconcentro e depois
volto a pensar nas coisas que deixei e na vida que escolhi.
Provavelmente cada pessoa que se encontra nesse ônibus,
teve um dia cansativo e para muitos, não é fácil estar indo para faculdade no
horário noturno; porém, nada é fácil e se queremos conseguir alguma coisa, precisamos
buscar e batalhar para alcançar.
Inclusive, li em um
livro que dizia a seguinte frase: “a vida é uma série de momentos,
desapegue-se”, não é fácil desapegar ou abrir mão, porém somos resultados das
nossas escolhas e ações (repetindo). Enquanto tudo isso se passa na minha
cabeça, observo cada pessoa que aparenta cansada ou até mesmo distraída nesse
ônibus, olho outra vez para a janela e repito comigo mesma: “brilhar em meio à
escuridão”, enfim, voltando ao assunto, desapegamos todos os dias, já desapegamos
do quarto rosa de infância, desapegamos da toalha do time de futebol,
desapegamos da roupa que se tornou um dia “farda”, desapegamos da amiga que
viajou para o outro lado do mundo, desapegamos da mãe que foi embora,
desapegamos do abraço que um dia confortou. Somos uma série de momentos
desapegados.
Logo o ônibus para e na faculdade eu tento me concentrar e
entender a organização da educação brasileira, mas só me vem na mente no que
vou escrever quando chegar a casa, daí a professora olha pra mim e pergunta se
tenho alguma dúvida sobre a disciplina, respondo: “não” e penso nas dívidas que
tenho sobre a vida.
Volto para casa e
estou pronta a escrever, abro o documento e encontro a frase em caixa alta,
seleciono a mesma e apago daí escrevo: “não é fácil brilhar em meio à escuridão”.
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