ABALADA E IMPERFEITA



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 Nos últimos dias, perdi a vontade de fazer muita coisa. Com a correria que está sendo o fim do período, e as eventualidades que surge da vida. Não estou com tempo para quase nada, inclusive, falta tempo para ler, rezar, descansar, conversar, assistir e o principal, escrever. Antes eu escrevia na fila do caixa, na cadeira do ônibus, na sala de aula, no corredor de casa, na lancha atravessando o rio, em qualquer lugar que surgia a vontade de escrever algo. Porém, nos últimos dias, essa vontade foi diminuindo, não sentia mais esse interesse, percebi que muita coisa perdeu o interesse pra mim.

Ultimamente selecionei com mais delicadeza as pessoas para dividir minha vida, tive mais cuidado em falar dos meus segredos e vida, não me sinto mais à vontade em conversar sobre meus medos, mas também não vejo necessidade de escrever sobre eles. Talvez essa perda de interesse, tenha mudado muita coisa aqui. Percebi que estava me abalando facilmente com o que as pessoas pensavam a meu respeito, algo diferente pra mim, pois nunca fui do tipo de pessoa que se abala com facilidade, pelo contrário, já passei por tanta coisa para chegar até aqui, lembro da forma que com apenas 12 anos tinha que ser fria e dura para cobrar responsabilidade e determinismo das pessoas. Lembro das muitas coisas que daria vários outros posts neste blog aqui.

 Com isso, aprendi a ser forte para não se deixar levar pelas decepções da vida. Vivia dessa forma, até que depois de uma noite do dia 14 de outubro, toda essa confiança e força, foi indo embora e nunca, nunca mais voltou por completa. E fico indignada quando as pessoas dizem que é frescura quando encontra alguém estranho ou distante, as pessoas não têm noção do que cada uma carrega dentro de si, muito “estranhismo” é consequência de toda história vivida no passado.

Cada um possui particularidades próprias e seus medos mais profundos são sentimentos que para ter uma vida mais feliz é preciso não deixar que nosso coração se abale com facilidade. E vamos trabalhando isso, dia após dia. Eis que chega um dia que não conseguimos superar sozinhos e precisamos das pessoas certas do nosso lado para nos ajudar. No meu caso, a religião e minha família tem um papel fundamental neste processo e na cicatrização de qualquer ferida da minha alma, porém, nem todo mundo tem essa base, é neste momento que devemos observar se nossas ações estão afetando positivamente ou negativamente a vida do outro.

Pois, com a dificuldade que estou tendo em me aproximar de algumas pessoas, mesmo não confiando e acreditando em muita coisa, estou tentando aceitar aquilo que não posso mudar e quem eu sou hoje: abalada e imperfeita, essa sou eu sem máscaras, tentando da minha forma, não duvidar da capacidade de crescer e conquistar os sonhos que sonhei, querendo ser forte, para encarar toda decepção e obstáculo de cabeça erguida.

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