TALVEZ ELA SÓ PRECISE ENTENDER
Papel de ingresso,
convite, pétalas de rosas secas, marcadores de páginas, guardanapos com frases
escritas, fotografias, papéis cartões com versos, entre tantas coisas
(lembranças) dentro daqueles livros. Ela continua a organizar seu quarto como
frequentemente faz em toda tarde de domingo. Enquanto ela tenta entender um
pouco dessa transição que é viver, ela escolhe um livro e ler rapidamente um
poema de Drummond “Os últimos dias”, fecha o livro e guarda-o, continuando a
organização.
Observa o quadro na
parede com uma das suas frases clichês: “Tem gente que já nasce marcada, já vem
com cicatriz” e aumenta o volume do som, acreditando que a voz de Chico vai
invadir e ocupar todos seus pensamentos. Entretanto, “Cotidiano” a faz estagnar
no mesma reflexão sobre a vida, lembrou que tem que começar seu Projeto de Vida
Pessoal e como planejar algo tão inconstante? Então resolve escrever, dessa
forma ela pode colocar para fora o que tanto atormenta.
Pega a caneta e o
caderno, ela sempre acha melhor escrever de caneta, não gosta de apagar seuserros, prefere dar um risco e reescrever novamente na próxima linha. Talvez ela
só precise colocar toda bagunça da sua mente no papel. Começa com o nome
“VIDA”, daí organiza seus pensamentos e entende que pode acontecer tudo com
todo mundo, que existe uma infinidade de vidas por aí e enquanto ela escreve,
tem gente nascendo, crescendo, morrendo, cantando, sorrindo, votando,
trabalhando, com raiva, com dor, com saudade, com amor e até mesmo, escrevendo
também.
Por um instante, olha
novamente aquele quadro na parede e repete para si mesma: “Já nasce marcada”,
lembra que um sonho impossível pode se tornar realidade, que a dor de ontem, já
não dói mais, e escreve no papel que somos limitados para entender o ilimitado.
Continua a escrever o
quanto somos livres e ao mesmo tempo, presos. Não sabemos quais mudanças podem
acontecer daqui um segundo, vivemos nessa constante mudança, disputa e luta.
Quantas mutações e revoluções você já viveu? É tautológico, só podemos entender
que a vida é para se viver. Mesmo recheada de erros e acertos, de egoísmo e
diferenças, de corrupção e deslealdade. O que podemos fazer?
Entende que viver é isso
e não tem como explicar o inexplicável. Decide fechar o caderno e deixa para
continuar aquele escrito depois, quem sabe na próxima tarde de domingo.
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