SOBRE COLECIONAR LEMBRANÇAS

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Acabei de assistir um filme, olhei ao redor do quarto e respirei. Lembrei das coisas que preciso fazer: tomar banho, ligar o notebook e estudar, muitas coisas acumuladas. Foi uma semana difícil e hoje é sábado, era uma alegria o final de semana, continua sendo, mas seria mentira da minha parte de dizer que continua a mesma intensidade.

Continuei a respirar, não quero chorar, respiro mais uma vez e outra. Por alguns minutos, consigo enxergar minha vida, aquele filme em formato panorama, ontem, estava no quintal brincando e minha maior dificuldade era ter que dizer meus pais que tinha me sujado toda de terra, vejo minha vida de hoje, faltando 6 meses para concluir mais um ciclo que dediquei quase todas minhas energias para alcançar. Seria indiferente não me sentir nostálgica ou com medo.

As coisas foram difíceis, quando eu era criança, não tinha medo do futuro, nem da profissão a ser escolhida, sentava no colo do meu pai e descansava, sem pesos e cobranças.
Aos poucos, as coisas foram mudando... precisei crescer antes do tempo, falar o que ficava preso na garganta, segurar o choro para não magoar as pessoas que amava, fingir ser sol quando tudo conspirava tempestade. Quando tive que escolher a profissão, pensei em todos a minha volta, minha família, todas as possibilidades e eventuais contratempos que poderia surgir no meio do caminho, mas eu escolhi. Quis buscar melhoria na educação, lutar pra isso, aprender para ensinar. Escolhi ser educadora, bióloga educadora. E sim, foi a melhor escolha que já fiz, apesar da quantidade de coisas que já abdiquei.

Meu coração estava confiante na decisão e eu, sempre fui muito de planejar, de ter um plano na vida. Daí, a vida e suas reviravoltas, me traz escolhas, estas que mudaram ou readaptaram meu plano e olha, não é fácil mudar nossos planos por algo ou alguém. Primeiro, porque eu sou segura nas minhas decisões; segundo, porque a vida me ensinou a não me entregar totalmente em nada que possa me desmoronar. 

Hoje, aqui e escrevendo estas linhas, sei que desde o inicio eu sabia que podia desmoronar, em alguns momentos, previa isso. Mas a gente ignora pensamentos ruins e tenta da melhor forma possível, não quebrar os sentimentos bons. E quando as coisas dão errado, a gente organiza tudo novamente. Aos pouquinhos, porque quando se trata de sentimentos, não importa muito os prazos, cada um tem seu tempo e ritmo. 

Tenha cuidado consigo mesmo, quando se trata de amor. Porque demora, as coisas demoram sim. Aos poucos, os dia vão passando, os meses também, a rotina vai consumindo todo o tempo, e parece que a saudade não espera momento ou tempo, ela só aparece, daí a gente ignora, fecha a porta, grita, sai correndo, vai para os lugares, conhece pessoas, sorri em fotos, abraça a vida e vai vivendo, se aproximando de algumas coisas e se afastando de outras, torcendo para manter a firmeza nas escolhas, para ignorar pensamentos ruins, para que o tempo passe rápido e rezando para não desmoronar novamente. Só colecionando lembranças na alma, na escrita e no coração.

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