AS RELAÇÕES HUMANAS NÃO SÃO FÁCEIS


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Você pode ler esse texto, ao som de Aliança- Tribalistas

Uma das coisas que ainda questiono com periodicidade é que relacionamentos não são fáceis.

Me refiro a qualquer relacionamento. Manter uma amizade é importante, manter um namoro com paixão e respeito, é uma tarefa gigantesca, manter um casamento, nem se fala. Conviver com alguém com jeito e costumes diferentes, nos permitem aprender, entender, respeitar e aceitar as diferenças.

Dia desses, estava sentada na varanda de casa e um casal de idosos com muita delicadeza e cuidado, andava pela rua e a cada detalhe, gentilmente expressavam amor. Comecei a entender que o amor é feito de detalhes, detalhes que vão além de um jantar à luz de velas e rosas todas as noites, é ser gentil todos os dias e isso é o que permanece depois que as velas se apagam e as rosas murcham.

Entretanto, a rotina muitas das vezes acaba sendo um problema para muitas relações, aliás, para os que se permitem acomodar com descaso e normalidade. A rotina, o convívio diário, não deve ser problema algum, mas sim, uma forma de estreitar os laços, embasar a construção de uma relação forte e rodeada de planos em comum.

E quando a rotina vira um problema a gente tem dessas mesmo de se acomodar e de insistir ou aguentar o comodismo com medo da solidão. É complicado entender, mas tem histórias que são levadas para caminhos diferentes da qual planejamos e mesmo assim, ainda estamos ali, na persistência para que seja diferente. E a pergunta é: para quê?

A vida é uma só! Uma das coisas que o sofrimento soube muito bem me ensinar é que independente de qual seja o problema, ele nunca durará a eternidade e o melhor, a infinidade nas possibilidades de recomeçar. Existem muitas coisas para conhecer, caminhos para seguir e tanta gente bacana disposta para entrar na nossa vida para acrescentar, fazer feliz e a gente continua insistindo em preencher espaços com pessoas ausentes.

Não viva algo meio termo, não queira relacionamento “meio termo”, amizade “mais ou menos”, namoro “indeciso”, casamento “inseguro”, na verdade, nada “meio termo” serve. Amor e relações são muito mais que isso e devem ser para e com, pessoas inteiras.

Correlaciono este texto com a ideia de Martha Medeiros que escreveu “sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. (…) O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.”
Relacionamentos não são movidos por metades, amor é plenitude, é rotina com frio na barriga (mesmo com tantos anos de convivência), é vontade de acordar juntos todos os dias, é alegria ao planejar uma casa, é alvoroço nos pensamentos, são planos de filhos e quintais cercados de animais, é constituição daquilo que é inteiro. E tá tudo bem se mesmo com tudo isso, a rotina estragou ou até mesmo, estragamos. Tá tudo bem, tem amores que mesmo com toda completude, possuem pontos finais, mas isso não significa que não foi amor.

Porém, se durante seu relacionamento, você perceber que existe comodismo, falta de respeito, incompletude, é hora de repensar o que já acabou e só você não percebeu. Lembre-se o que Clarice Lispector dizia: “Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre”. Quando não existir presença, quando a saudade desaparecer, quando existir mais desculpas do que presença e vontade de estar juntos, não tem porque ainda insistir. Relação de verdade, vai além das insistências e metades. Relacionamentos não são fáceis, isso é lógico, mas no fundo, vale sempre a pena.

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