É SÓ UMA QUESTÃO DE TEMPO


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Você pode ler esse texto, ao som de Coração Calejado - Jorge & Mateus) 

Somos o acúmulo de histórias, carrego a minha e pra ser bem sincera, teve seus altos e baixos. Para alguns, a fase de provação, é momentânea, não sendo exagerada, essa fase na minha vida durou e ainda dura, em algumas doses diárias que ainda me surpreeendo.

Alguma vez, me disseram que eu precisava perdoar, perdoar quem errou comigo, quem não conseguiu ser verdadeiro, quem silenciou, quem desistiu, quem estragou algo bom, perdoar.

Precisei treinar esse perdão, hoje, consigo conversar, conviver, olhar e não sentir remorso ou alguma mágoa com quem errou feio comigo.  Aprendi a guardar apenas coisas boas de todas experiências e hoje, ver a felicidade das pessoas, também significam algo muito bom pra mim, mesmo que seja de pessoas que nunca imaginei perdoar. Aprendi a curar esse coração. Meu coração que antes era tão grande, foi diminuindo a cada recomeço, se tornou calejado e cismado, literalmente.

Com isso, continuei, fazendo minhas coisas, sorrindo, vivendo e sendo eu, sem máscaras, sem maquiagem alguma na alma.

Como bem afirmei, a bendita fase continua, mesmo com doses pequenas, e como qualquer pessoa que prefere o lado da janela no ônibus, tinha dias que contar estrelas e conversar com a lua, nem que fosse como forma de desabafo, era a melhor escolha para amenizar aquilo, ao menos naquele momento.

Depois de tantas fases, dias, pessoas, corações e recomeços. Não imaginava o quanto a vida ainda podia surpreender, me presentear, trazer outro coração ( talvez calejado também) para se unir ao meu. Foram dias, muitos dias, com alegria, amor e afeto. E as noites olhando pela janela do ônibus, não eram as mesmas, antes era um desabafo, depois, se tornou um sentimento de gratidão ao Universo por tamanha bondade em cuidar de tudo.

Hoje, procuro entender como as coisas se tornam tão diferentes, talvez a culpa seja nossa, ou da janela do ônibus, das estrelas, daquela quarta-feira que não devia ter saído de casa, ou até mesmo do Universo que não soube cuidar direito. Talvez.

Não sei te explicar, nem consigo entender. Mas a vida tem dessas e como todas as outras vezes, eu aprendi a recomeçar. A gente sempre aprende, mesmo com o coração doído e a alma cansada de tentar, a gente precisa aprender. Aprender a não lembrar, a não querer conversar sobre como foi aquele dia difícil, aprende a não precisar, a não sentir falta, aprende a não se preocupar como era de costume. Aprende, e olha que eu já aprendi muita coisa, mas pra ser bem sincera, ainda estou aprendendo.

É como a professora do primário fazia, com aquelas duas amigas ou turminha que estavam conversando, precisava separar as cadeiras para que aquelas alunas prestassem atenção na aula. É bem assim, vamos aprender, eu vou, você vai. Porém, em cadeiras distantes, até mesmo em salas separadas.

É só uma questão de tempo.


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