SOBRE NUDEZ DA ALMA

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Não sei se vocês se lembram qual foi a ultima vez que sentiu constrangida ou envergonhada. Calma, não estou falando em alguma agressão física ou moral contra ninguém. Quero dizer, um sentimento de acanhamento, timidez, talvez. Eu me lembro muito bem a ultima vez que senti isso, foi na quarta feira, dia 14 para ser específica, reconhecendo que hoje já é sábado. Eu gosto de escrever aos sábados.

Voltando na quarta, estava em uma mesa, mesa de um bar, pode soar estranho e piegas, mas estávamos nos divertindo entre conversas  pós congresso acadêmico e ao mesmo tempo, falávamos da queda capilar pós química e alisantes femininos.
Logo, não consegui evitar de olhar para o rapaz que veio  cumprimentar, o mesmo que 40 minutos depois estava na minha frente conversando sobre assuntos da vida, até mesmo problemas respiratórios que temos em comum ( nunca tinha notado o quanto podemos conversar tanta coisa em um curto espaço de tempo).

Em um instante, ele perguntou sobre coisas que gostava de fazer, e eu já estava ali dizendo que escrevia crônicas, ele olhou como se fosse algo inédito de ouvir na mesa de um bar. Por um momento, senti aquele constrangimento, não por estar ali ou ter falado algo pessoal para alguém que acabei de conhecer, mas sim, porque quem escreve sabe o quanto deixa transparecer seus sentimentos e como Clarice Lispector diz: " escrever é um pouco vender sua alma". Tudo bem que não ganho dinheiro algum em troca de textos e posts, mas de uma forma tão nítida e inevitável, revelo quem sou. Inevitável, eu sei, eu uso esse adjetivo com certa frequência nos textos e sim, acredito em muita coisa que não podemos evitar, talvez eu goste do inevitável. 

Nesta quarta foi assim, saber que naquele exato momento ele conheceria um pouco da minha vida e do que escrevo, que mesmo sem pedir licença, entraria no meu mundo ( meu mundo) que não é tão particular igual de Frederico Elboni. 

É um constrangimento de alma e fiquei um pouco aflita.  Muitos desejam a nudez do corpo, mas quando se falam em nudez da alma, isso assusta as pessoas, até entendo por ser um espaço tão incomum que é a essência do outro.
Por isso ainda estou aqui, pensando se fiz o certo em dizer que escrevia e torcendo para que ele não se assuste com esse meu mundo não tão particular.

Talvez escreva algo sobre essa decisão. Quem sabe no próximo sábado.

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